Em diferentes lagos, rios e reservatórios ao redor do mundo, incluindo muitos na Argentina e o Brasil, um fenômeno ambiental adverso é cada vez mais observado: grandes manchas esverdeadas ou azuladas na água, às vezes acompanhadas de espuma, Mau cheiro ou peixe morto. Em muitos casos, são florescimentos de cianobactérias, microrganismos microscópicos que podem alterar fortemente os ecossistemas aquáticos e representar risco à saúde humana.
O que são cianobactérias?
As cianobactérias, também chamadas de algas azul-esverdeadas, são microrganismos fotossintéticos que habitam ambientes aquáticos e produzem oxigênio a partir da luz solar, semelhante às plantas. Eles existem há mais de 2,5 bilhões de anos e desempenharam um papel fundamental na oxigenação inicial da atmosfera terrestre. Eles são encontrados naturalmente em lagos, rios, reservatórios e mares, formando parte do fitoplâncton que sustenta a base de muitas cadeias alimentares aquáticas.
Em certas circunstâncias, as cianobactérias podem crescer muito rapidamente e formar as chamadas florações de algas, ou seja, concentrações extremamente altas de microrganismos na água. O problema surge quando certas condições ambientais favorecem esse crescimento explosivo: essas florações podem tingir a água de verde, azul ou marrom e produzir substâncias tóxicas conhecidas como cianotoxinas.
![As cianobactérias afetam o meio ambiente, gerando consequências para a fauna e a flora do local.]()
As cianobactérias afetam o meio ambiente, gerando consequências para a fauna e a flora do local.
Algumas espécies comuns nesses eventos produzem toxinas que podem afetar o fígado ou o sistema nervoso de animais e pessoas, causando assim profundas alterações no equilíbrio dos ecossistemas aquáticos. Entre os principais efeitos estão:
- Oxigênio reduzido da água: Quando as florações se decompõem, consomem grandes quantidades de oxigênio, o que pode levar à mortalidade de peixes e outras áreas aquáticas.
- Perturbação da cadeia alimentar: Toxinas liberadas podem se acumular em diferentes organismos aquáticos e transferir para níveis superiores da cadeia alimentar, afetando peixes, aves e mamíferos.
- Mudanças na biodiversidade: Ao dominar o ecossistema, as cianobactérias podem substituir outras algas ou microrganismos que normalmente fazem parte do fitoplâncton.
Riscos para os humanos
As cianobactérias não afetam apenas o meio ambiente, mas em certas condições também podem ter consequências para as pessoas. As toxinas produzidas por algumas espécies podem causar irritações na pele e nos olhos, sintomas gastrointestinais ou respiratórios ou (em casos extremos) envolvimento neurológico ou hepático severo. Essas reações podem ocorrer por contato direto com a água, inalação de aerossóis ou ingestão de água contaminada.
![O crescimento dessas flores provavelmente se deve às mudanças climáticas, mudanças nos nutrientes das culturas e ao despejo de águas residuais.]()
O crescimento dessas flores provavelmente se deve às mudanças climáticas, mudanças nos nutrientes das culturas e ao despejo de águas residuais.
Por essas razões, muitas autoridades de saúde monitoram lagoas, rios e reservatórios recreativos e emitem alertas quando são detectadas flores ativas. Por exemplo, no caso da Argentina, o fenômeno é observado principalmente em lagoas, rios e reservatórios de água doce, especialmente durante os meses quentes. As províncias centrais e costeiras – como Buenos Aires, Santa Fe, Entre Ríos ou Córdoba – registram periodicamente alertas sobre a presença de cianobactérias em águas recreativas, especialmente em lagoas e setores do rio Paraná e do Rio da Prata.
No entanto, o fenômeno não se limita à América do Sul. Eventos semelhantes são registrados em diferentes partes do mundo que afetam desde lagos urbanos até grandes corpos d´água. Por exemplo, na África, o Lago Vitória sofreu intensas florações que tingem a água de verde e causam problemas para a pesca e o fornecimento de água potável para milhões de pessoas. Acredita-se que essa proliferação esteja associada às mudanças climáticas, mudanças nos nutrientes associadas às culturas e águas residuais e/ou à estagnação da água devido à construção de reservatórios e barragens.
No entanto, as cianobactérias não são "ruins" por si só: em condições normais, são parte essencial dos ecossistemas aquáticos e contribuem para a produção primária de oxigênio e matéria orgânica. O problema surge quando esse equilíbrio natural do sistema é alterado, permitindo que essas bactérias dominem o ecossistema e gerem florações tóxicas, tornando essa proliferação um dos desafios mais importantes para a gestão dos recursos hídricos atualmente. Para alcançar mudanças duradouras, tanto políticas ambientais quanto mudanças nas práticas agrícolas e urbanas precisarão estar envolvidas.